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A Última Missão de Frank Donovan

 

Créditos

Título: A Última Missão de Frank Donovan

Do original em inglês: Frank Donovan's Last Mission

Autora: Louise Benett

Local: São Paulo, Brasil

Edição: Primeira

Ano: 2006

 

Capítulo I

Os primeiros raios de sol mal iluminavam a areia branca da praia. Uma leve e gélida brisa bagunçava os cabelos dos corredores matutinos que se aventuravam em corridas na orla logo nas primeiras horas da manhã. As gaivotas desenhavam movimentos especialmente graciosos no ar, mergulhando de vez em quando para pegar um peixe. Era o começo de mais um dia comum.

Tinha sido uma noite longa para Frank e ele estava cansado. Os seis meses que passara na vigilância noturna não tinham sido nada fáceis. Sentado em seu carro, ele bebericou um gole de café, enquanto observava o silêncio vindo da antiga casa em estilo Vitoriano. Era a última casa da rua da praia, e talvez até tivesse sido uma casa magnífica no passado, mas hoje ela estava literalmente decadente. O jardim estava maltratado, a pintura externa estava totalmente desvanecida e via-se que o teto precisava de reparos urgentes. “Felizmente não tem chovido muito ultimamente esses dias”, pensou Frank.

Ele poderia ter pedido a qualquer um de seus subordinados que ficasse no turno da noite, mas ele decidiu cuidar daquilo pessoalmente. Ela estaria completamente sozinha na casa durante a noite, e o perigo, normalmente, vê nas horas mais escuras da noite um subterfúgio e um álibi para suas ações.

De repente, ele se lembrou do primeiro dia em que a viu. Foi no funeral do pai dela. Uma grande multidão estava reunida para o triste evento. Marinheiros, em sua maioria. O Comandante Seis era muito popular entre seus jovens subordinados. Ninguém acreditava que ele tinha morrido tão inesperadamente e de maneira tão estranha. Seis meses antes, lembrou-se Frank, o Comandante Seis foi encontrado morto em sua casa. Estava tudo revirado. Os ladrões provavelmente procuravam alguma coisa. Quando o Comandante Seis chegou, ele tentou deter os homens e foi morto. Naquela estranha e solitária vizinhança, ninguém confirmou ter visto a briga, se é que houve alguma. A polícia de Los Angeles investigou durante algumas semanas e, sem conseguir uma única pista, decidiu encerrar o caso.

Mas a Marinha Americana não esqueceria o caso tão facilmente. Ela usaria seus próprios recursos para investigar o ocorrido. O FBI foi contatado e Frank Donovan foi nomeado responsável pelas investigações.

Sua experiência e sexto sentido diziam-lhe que aquele assassinato não tinha sido uma fatalidade comum. Além disso, no passado, apareceram alguns boatos sobre o Comandante Seis ter descoberto um importante segredo de Estado. A Marinha e, agora, o FBI, precisavam saber qual segredo era esse. Se eles conseguissem descobrir, provavelmente também descobririam o motivo de seu assassinato.

Quando seu pai morreu, Alex viu-se completamente sozinha no mundo. Muito estranhamente, ela continuou morando na mesma velha casa em estilo Vitoriano. Durante seis meses, sem que ela soubesse, agentes do FBI a vigiaram bem de perto. Eles se infiltraram em todos os lugares, na universidade onde ela dava aulas, na praia, ficaram meses acampados num terreno baldio atrás da casa dela. Na verdade, ela até notou um movimento incomum por lá, mas ela estava tão triste, tão deprimida devido à morte de seu pai que nem mesmo deu importância ao assunto.

Seus longos cabelos pretos, olhos verde-escuros e sua compleição suave, alva e frágil não passaram despercebidos aos olhos de Frank. Havia algo nela que evocava nele um sentimento de proteção, carinho, compaixão. Ela tinha vinte e três anos, mas parecia muito mais nova. Embora estivesse sendo amparada por algumas pessoas no funeral, talvez colegas da universidade, Frank notou que ela parecia completamente perdida, assustada, inconsolável e, bem em seu íntimo, ele desejou poder estar mais próximo a ela para confortá-la, para protegê-la.

Nunca antes em sua vida uma mulher tinha lhe tocado daquela maneira. Seu trabalho não lhe deixava muito tempo para romances. Seus casos eram rápidos, sem comprometimento, casos que simplesmente serviam para descarregar seus desejos masculinos. Não que ele fosse um garanhão, um Don Juan, ou um esnobe sem sentimentos. Bem, na verdade, muitos de seus colegas achavam que ele não tinha coração, devido à falta de emoção que ele sempre demonstrava ao lidar com as situações mais difíceis. Mas ninguém conhecia Frank bem a fundo. As pessoas não entendiam direito todo aquele comportamento sem compaixão, aquela frieza e inflexibilidade que ele demonstrava ao comandar um caso. As pessoas não entendiam que aquela era apenas uma maneira que Frank encontrara para não se deixar vencer emocionalmente pelos seus próprios sentimentos. Ele assumia um ar frio e distante de propósito, justamente para não demonstrar que era um sujeito compassivo, gentil e carinhoso. Como agente especial do FBI, ele achava que seria muito mais respeitado se tivesse sangue frio, nervos de aço e um ar severo e duro. E o tempo provaria que ele estava certo em assumir tal postura. Ele era muito respeitado. Ganhava muito mais do que perdia.

Seu velho amigo Harry viria substituí-lo para o turno diurno, vigiando a casa da praia. Tom seguiria Alex por todo o caminho até a universidade. Lá, com certeza, Mark e Ray já estariam esperando para comandar os outros homens, que, disfarçados como alunos, passariam seus dias no rastro de Alex, até mesmo assistindo suas aulas, até que ela voltasse para casa, no meio da tarde, onde Harry tomaria novamente o comando da operação até a chegada de Frank no início da noite. Aquele tinha sido o cronograma deles nos últimos seis longos meses.

Uma súbita mas suave batida no vidro da janela tirou Frank de seus pensamentos. Ele estava naquele estranho estágio entre a vigília e o sono e não notou que alguém se aproximava.

– Vá para casa, amigo, você está horrível hoje – disse Harry.

Frank sorriu e olhou para Harry.

– Gostei do seu vestido, amigo! – respondeu Frank.

Harry, de fato, tinha encontrado uma maneira ótima de se aproximar de Alex. Arrumara um disfarce como pipoqueiro, bem na esquina da rua da casa da moça. O avental dele era realmente muito engraçado, parecia um vestido.

– Pode brincar o quanto quiser, amigo, mas aposto que você adoraria ficar em meu lugar – provocou Harry, com um meio-sorriso.

Harry era um senhor bastante gentil, quase na casa dos sessenta anos. Seus cabelos, quase brancos, lhe davam um ar de respeito e confiança. Sob esse disfarce, ele poderia ficar bem perto de Alex e tentar ser seu amigo. Ele já havia notado o cuidado incomum com que Frank cuidava do caso de Alex, ou melhor, do Comandante Seis.

– E roubar o seu emprego, amigão? Não, de jeito nenhum – disse-lhe Frank, sorrindo.

– Então tira esse traseiro daí antes que ela apareça.

– Não... ainda é muito cedo. Ela geralmente acorda às sete horas.

– É um longo caminho de ônibus até a universidade.

– Se pelo menos a gente pudesse lhe dar uma carona... Mas estragaria o disfarce, não é? E, nesta vizinhança, quem é que lhe daria uma carona até aqui? Ninguém nunca a visita, nem de dia, nem de noite. Acho que ela não tem nenhum amigo além de você, o pipoqueiro da esquina.

– Ah, eu tento ser um bom amigo para ela, não se preocupe.

– Sei disso.

– Então agora vai, amigo, e fique tranquilo. Nada vai acontecer hoje também. Nada aconteceu durante seis meses, hoje não será o dia.

– Voltarei mais cedo hoje para que você possa ir para a sua casa ficar com a Susie; afinal, hoje é aniversário dela.

– Obrigado, Frank, mas não se preocupe. Os convidados não chegarão antes das oito. Tenho certeza de que ela adoraria que fosse à festa também, mas você insiste em ficar aqui todas as noites...

Frank sorriu. Harry era a única pessoa em que ele confiava o bastante para deixar transparecer seus verdadeiros sentimentos. Ele era seu único e bom amigo.

– Não me perdoaria se algo acontecesse a ela, você sabe.

Então foi a vez de Harry sorrir. Batendo no ombro de Frank, ele o intimou a ir embora de uma vez.

 

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Sobre o personagem

Frank Donovan é criação da NBC Studios, EUA. Ele era o personagem principal da série americana UC Undercover, exibida nos EUA há mais de dez anos e cancelada logo após os ataques de 11 de setembro. A série nunca foi exibida no Brasil.

Capa do livro: projeto e criação da autora Louise Benett.

Os modelos são Oded Fehr (que atuou como Frank Donovan no seriado americano) e Josie Maran.

As figuras para montagem da capa foram obtidas na Internet e os direitos autorais das mesmas pertencem aos seus respectivos fotógrafos e à NBC Studios.

 

 

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