Wings Of Freedom

 

 

 

A Última Missão de Frank Donovan

 

Capítulo II

 

Aquela tarde de verão estava realmente agradável e Alex decidiu dar uma volta na praia. O dia na universidade tinha sido fácil. Os alunos estavam apresentando seminários de Literatura Inglesa e eles mesmos preparavam os assuntos para discussão, deixando a Alex apenas a tarefa de moderar os debates.

Alex não saía muito de casa desde a morte de seu pai. Naquele dia, ela achou que um pouco de sol lhe faria bem. Pegou um livro e saiu. Antes, porém, deu uma passada na banquinha de pipoca da esquina.

– Olá, Harry!

– Ah, olá, Alex! Que bom vê-la por aqui! Está quente hoje, não está?

– Está mesmo. Vou tentar ler um pouco perto da orla. A brisa parece bem gostosa. Preciso descansar um pouco.

– Como vão as coisas?

– Bem, eu acho.

Harry então notou o sorriso triste de Alex. Ele com certeza podia entender os sentimentos de Frank com relação a ela. Ela parecia estar sempre tão desesperada, em pânico, tão perdida e assustada que certamente qualquer pessoa se sentiria bem em confortá-la.

Mais tarde, quando Alex estava bem no meio de um excitante livro de drama, um livro do século dezoito, ela notou uma sombra se aproximando. Assustada, ela viu um homem com misteriosas roupas escuras se ajoelhando perto dela. Ela estava prestes a se perguntar por que aquele estranho estava se aproximando de uma maneira tão inesperada, quando finalmente notou que o homem trazia, nas mãos, algo que ela parecia conhecer.

– Com licença, senhora, acho que seu livro deve estar mesmo muito interessante. O vento acaba de levar o seu chapéu e acho que a senhora nem mesmo notou, não é?

Alex sorriu e agradeceu ao homem. Era verdade, ela estava tão absorta no livro que não notou que seu chapéu tinha voado. “Que distraída”, pensou. Felizmente, o homem parecia ser bem simpático.

– Obrigada, senhor, realmente eu não tinha notado.

– Importa-se de eu me sentar aqui? – ele perguntou.

– Não, pegue uma cadeira – ela brincou.

Quando ele se sentou perto dela, um estranho sentimento a invadiu. Ela estava certa de já ter visto aquele homem antes, mas não se lembrava de onde. Ela o observava, com uma expressão séria no rosto, quando ele, de repente, perguntou-lhe, tirando-a de seus pensamentos:

– Você vem sempre aqui?

– Na verdade não. Há meses que não venho aqui. Mas é que estava tão quente em casa hoje.

– Você mora na vizinhança?

Alex hesitou por um momento. Ela não sabia se deveria confiar totalmente naquele estranho. Desconfiada, ela olhou bem no fundo dos olhos dele. E, novamente, teve a impressão de estar falando com um velho conhecido. Será que a sua intuição a avisaria se houvesse algum perigo? Não intuindo nenhuma maldade nos olhos dele, ela arriscou:

– Sim, moro na última casa da rua – respondeu finalmente.

– Desculpe, eu não me apresentei. Meu nome é Frank – disse ele.

Ela sorriu. “Frank”, pensou. O nome significava “franco, sincero, honesto”. Será que o significado do nome dele corresponderia ao seu caráter?

– Prazer em conhecê-lo, Frank. Meu nome é Alex.

– Alex? Só Alex?

Frank sabia o nome verdadeiro dela, mas provocou-a só para ouvir a história dela.

– Bem, na verdade, meu nome é Alexandra. Mas meu pai costumava me chamar de Alex.

– Costumava?

– Sim, ele morreu há pouco tempo – disse ela, mostrando o seu pesar.

– Meus sentimentos.

– Ah, está tudo bem. A vida continua, não é mesmo?

– Você mora sozinha?

– Sim. Meus livros e eu.

Frank sorriu.

– O que você faz? Quero dizer, profissionalmente?

– Sou professora de Literatura Inglesa na Universidade de Los Angeles.

Detalhes desnecessários, Frank sabia tudo sobre ela. Mas ele precisava se aproximar mais; então, usou a abordagem convencional.

– E você, Frank, o que faz?

Frank sorriu. Lembrou-se de seu disfarce. Na verdade, não era um disfarce assim tão fictício, ele adorava trabalhar naquilo em seu tempo livre.

– Sou engenheiro de software.

– Nossa, que interessante!

– Mas também tenho uma segunda profissão, algo em que me formei, mas nunca trabalhei. Sou professor de história.

Alex sorriu.

– Então acho que temos muito em comum, Frank – exclamou ela. – História e Literatura são duas áreas muito relacionadas, não é mesmo? Tenho muitos livros históricos em casa. Posso lhe emprestar alguns, se quiser.

Frank estava exultante. Um relacionamento mais próximo com ela era tudo o que queria. Ele adoraria passar mais tempo com ela e conhecê-la melhor. Ela era ainda mais bonita do que pensava. Ele nunca tinha estado tão perto dela antes. Observou sua pele suave e rosada, seus lindos olhos verdes, seu sorriso cândido, sua fragilidade, seu encantador jeitinho de criança. Um forte desejo de abraçá-la ameaçava invadi-lo, mas ele se controlou, não esquecendo de ser cordial como a ocasião pedia.

– Eu adoraria, Alex – disse ele.

– Você também mora por aqui? – ela perguntou.

– Na verdade, não. Estou só dando uma volta. Santa Mônica tem estado muito tumultuada. Eu precisava de um lugar mais sossegado. Esta praia é maravilhosa, Alex, você tem sorte de morar aqui.

Novamente ela sorriu-lhe aquele sorriso triste. Frank imediatamente notou.

– O que foi, Alex? Algo que eu disse?

– Ah, não, não é nada. É que, meses atrás, eu diria que minha vida não poderia estar melhor. Mas agora, depois da morte de meu pai... as coisas estão difíceis.

Frank sabia que Alex estava passando por uma situação difícil e seu coração ansiava em poder ajudá-la. Quem sabe talvez agora pudesse, já que estava finalmente se aproximando dela.

– Se houver algo que eu possa fazer para ajudá-la – disse ele.

Alex olhou para ele ainda mais seriamente do que antes. Ele tinha um rosto muito bonito, uma pele bronzeada, e seus belos olhos marrons aparentavam um olhar tão carinhoso e preocupado que ela não duvidou dele nem por um segundo. Ela tinha total certeza de que havia uma sinceridade muito pura naquele estranho. Sim, porque mesmo com aquele forte e estranho sentimento de que ele era um velho conhecido, ele não passava de um estranho.

– Gostaria de tomar um café, Frank? – ela perguntou, quase que inesperadamente.

Frank concordou, com um sorriso.

– Eu adoraria!

– Então vamos entrar. Eu faço o melhor cappuccino da face da Terra! Também fiz alguns biscoitos. Tenho certeza de que você vai adorar!

Ambos se dirigiram felizes para a casa dela, sob o olhar surpreso de Harry, que observava tudo da esquina. O que Frank estava fazendo lá tão cedo? Ele havia mesmo dito que chegaria cedo naquela tarde, mas aquela abordagem era totalmente inesperada!

Frank e Alex passaram algumas horas na casa dela, conversando sobre livros, história e literatura.  Frank notou que ela não somente era uma mulher muito bonita, mas também inteligente, doce e esperta. Ficou muito triste de saber que ela passava por um momento tão difícil. Ficou ainda mais triste quando viu que a casa dela era tão velha, tão pobre, tão desconfortável.

– É uma casa velha e meu pai nunca se importou muito em reformá-la – ela explicou. – Afinal, ele ficava fora a maior parte do tempo. Meu pai foi capitão da Marinha por mais de 30 anos. E eu só tinha tempo para estudar. Tive uma grande oportunidade na vida. Quando me formei, eles me ofereceram uma posição como professora de literatura. Tenho apenas 23 anos e é bem difícil chegar a essa posição tão cedo na vida; assim, posso dizer que tenho tido muita sorte!

Mesmo falando sobre assuntos agradáveis, Alex não conseguia esconder o sorriso triste, notou Frank. Se ele pudesse abraçá-la, nem que fosse por alguns instantes!

A noite se aproximava e Frank começou a pensar em Harry. Com certeza ele já tinha ido embora àquelas horas. Por isso, Frank não teve pressa. Ele poderia passar a noite toda lá, conversando com ela. Tê-la sob seus olhares vigilantes era tudo o que queria. Ele queria protegê-la, confortá-la.

O café estava realmente ótimo, a conversa maravilhosa e a companhia, a melhor possível. Aquele início de tarde tinha sido mágico. Mas Frank sabia que tinha de ir. Para uma primeira abordagem, tinha sido inesquecível.

Ele acenou para Alex de dentro do carro e partiu, prometendo voltar para uma outra visita. Na verdade, ele voltaria à praia somente alguns minutos depois, sempre vigiado de longe por seus agentes, e se colocaria novamente à porta da casa naquela noite, do mesmo modo que vinha fazendo todas as noites durante os últimos seis meses.

 

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Sobre o personagem

Frank Donovan é criação da NBC Studios, EUA. Ele era o personagem principal da série americana UC Undercover, exibida nos EUA há mais de dez anos e cancelada logo após os ataques de 11 de setembro. A série nunca foi exibida no Brasil.

Capa do livro: projeto e criação da autora Louise Benett.

Os modelos são Oded Fehr (que atuou como Frank Donovan no seriado americano) e Josie Maran.

As figuras para montagem da capa foram obtidas na Internet e os direitos autorais das mesmas pertencem aos seus respectivos fotógrafos e à NBC Studios.

 

 

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