Wings Of Freedom

 

 

 

A Última Missão de Frank Donovan

 

Capítulo III

– Bom dia, Romeu – disse Harry. – Vi que finalmente conversou com a sua Julieta ontem – brincou.

– Ela é um anjo, Harry. Tão solitária. Cuide bem dela hoje, OK?

– Farei o melhor que puder, amigo. Mas nunca poderia cuidar dela tão bem quanto você. Pensei que nunca falaria com ela! Já estava na hora!

– Decidi vir mais cedo ontem e dar uma volta na praia. Estava andando tão distraído e, de repente, eu a vi, sentada na areia, perto da água. O chapéu dela voou e, para a minha sorte, o vento o trouxe em minha direção. Instintivamente, eu o agarrei. Ela não tinha nem notado que tinha perdido o chapéu. Acho que foi destino, não foi? Então eu tinha que ter ido lá devolver, não tinha?

– Certamente – sorriu Harry. Frank era um romântico, pensou. Se ele ousasse contar a quem quer que fosse sobre essa característica pessoal de seu amigo, ninguém acreditaria e até mesmo ririam dele, achando que estava ficando velho. Mas ele conhecia Frank muito bem. Por trás daquela fisionomia fria e resoluta, vivia uma alma sensível e romântica.

– Bem, eu já vou indo. Prometi que faria uma nova visita a ela, Harry. Acho que seremos amigos. Quero protegê-la, você sabe. Ela está totalmente só neste mundo. Aqueles caras podem voltar e revirar a casa de novo, procurando sabe-se lá o quê. Precisamos ficar atentos, o tempo todo. Peça que Tom a siga constantemente, pegue o mesmo ônibus, o mesmo táxi, o que for. Quem sabe o que pode acontecer. Aqueles caras estão muito quietos, se quer saber minha opinião.

– Fique frio, amigão. Ficaremos de olho nela. Nada irá acontecer conosco por perto.

– OK. Bom trabalho. Voltarei assim que descansar um pouco. Como foi a festa ontem?

– Ótima, Frank. Susie adorou o presente que você mandou. Ela ficou triste por você não poder ir. Ela adora você, sabe disso. Todas as crianças adoram você – provocou, certamente referindo-se a Alex.

Frank tinha trinta e cinco anos e achava que estava ficando muito velho. Talvez muito velho para Alex, pensou. No fundo de seu coração, tudo o que queria era se casar, ter uma linda família. Mas suas obrigações não permitiam que tivesse uma vida pessoal como gostaria. Ele tinha um compromisso com o Governo, com o FBI, era um agente especial e sua profissão exigia muito dele. Ele ganhara muito mais dinheiro do que teria tempo para gastar em sua vida toda. Mas ele se sentia sozinho, muito sozinho, e talvez fosse por isso que se sentia tão atraído a Alex, pois ela parecia tão sozinha e perdida quanto ele.

– Falo com você mais tarde, Harry. Se acontecer algo incomum, pode me ligar.

Ele voltaria mais tarde, como de hábito. Embora agora devesse ter mais cuidado para que Alex não o visse. Se ela percebesse que ele estava por perto, suspeitaria de alguma coisa e ele teria de arrumar uma boa desculpa para estar ali, vigiando-a o tempo todo. Ele ainda não achava que era hora de revelar a ela a verdadeira natureza de sua presença. Ela ficaria muito assustada, e ele queria evitar que ela sofresse ainda mais.

 

Naquela tarde, Frank tomava um banho rápido antes de voltar à praia quando seu telefone celular começou a tocar insistentemente. Quando ele finalmente atendeu, após ouvir a ligação por alguns minutos, seu olhar escureceu. Atentamente, ele ouviu seu superior falar por mais de meia hora, até finalmente desligar. Sentou-se na cama, tentando concentrar seus pensamentos para elaborar um plano que fosse bom o suficiente para dividi-lo em dois, para que pudesse estar em dois lugares ao mesmo tempo.

Harry seria a primeira pessoa com quem ele compartilharia seu problema. Telefonou imediatamente para ele.

– Mudança de planos, amigo. Terei de sair do país amanhã em uma missão.

– Fique tranquilo, não se preocupe com nada. Deixe Alex conosco. Ela ficará segura. Não sei por que se preocupa tanto, amigão – disse Harry.

Mas ele sabia sim por que Frank se preocupava tanto.

– Preciso que vá comigo, Harry. E não confio em mais ninguém para vigiá-la.

– Ah, por Deus, Frank, deixe Tom cuidar disso. Você sabe que ele é capaz!

– Não posso deixá-la, Harry. Não agora. Temo que algo aconteça. A Equipe B descobriu algo importante. Precisamos ir checar, por isso fui chamado às pressas hoje. Partiremos amanhã.

– Então devemos ir e resolver tudo, Frank, ela ficará segura aqui, prometo a você, confie em Tom.

A mente de Frank estava em total conflito. A única coisa que sabia é que não deveria deixá-la, como se seu coração estivesse lhe avisando sobre um grande perigo.

– Vamos falar com ela, Harry. Teremos de fazer isso mais cedo ou mais tarde.

– Você é o chefe.

– Encontre-me na porta da casa dela em duas horas.

– Já estou aqui, amigo.

– Estou a caminho.

Uma batida inesperada na porta de Alex surpreendeu-a naquela tarde. Ela não esperava nenhum visitante, como sempre. Quando viu Frank parado na soleira da porta, seu lindo rosto se iluminou.

– Não esperava vê-lo tão cedo! – exclamou ela, com um visível contentamento.

Então ela notou que Harry estava parado ali também.

– Harry, que surpresa, você aqui?

– Precisamos conversar com você, Alex – disse Frank, com um estranho tom de voz que a assustou.

– Bem, entrem. Não sabia que vocês dois se conheciam – disse ela, enquanto os levava para a sala de estar. – Gostariam de tomar uma xícara do meu cappuccino?

– Talvez mais tarde – respondeu Frank.

– Bem, então sentem-se, por favor. Deus, acho que não preciso dizer o quanto estou surpresa em vê-los aqui juntos e com essas caras sérias. Aconteceu alguma coisa?

Harry olhou sério para Frank, tentando descobrir se ele deveria começar a contar a história ou se Frank faria as honras. Respirando fundo, Frank começou a falar:

– Alex, o que temos a lhe dizer é muito importante. Está relacionado à morte de seu pai.

Alex levantou-se. Suas mãos estavam visivelmente trêmulas. Era uma situação completamente inesperada. Toda a doçura e gentileza que lhe eram peculiares desapareceram e ela ficou na defensiva. Tentando se acalmar, ela disparou:

– Vocês são policiais, não são? O que diabos estão fazendo aqui de novo? Tudo o que eu tinha a dizer eu já disse seis meses atrás. E vocês encerraram o caso sem fazer nada. O que querem agora?

Harry olhou para Frank como se dissesse: “Eu falei que não seria fácil.”

– Não somos policiais, Alex.

– Então são da Marinha?

– Não. Somos do FBI.

Alex ficou ainda mais alarmada quando viu seus distintivos, que eles se apressaram em mostrar. Em seguida, balançando a cabeça com pesar, ela perguntou:

– E por que só agora o FBI está se preocupando com a morte do meu pai?

– Na verdade, não estamos preocupados com a morte de seu pai, Alex. Estamos preocupados com você. Achamos que você pode estar em perigo.

– Em perigo? Por quê?

– Seu pai foi morto por causa de alguma coisa que ele sabia. Os homens que mataram seu pai podem pensar que você também sabe de algo.

– Meu pai for morto por ladrões comuns, senhores. Com certeza não preciso lembrá-los disso. A casa foi revirada. Meu pai chegou bem na hora em que os ladrões estavam saindo e tentou detê-los. E foi morto. Esta é a história. Não sei por que eu estaria em perigo agora.

– Os homens que atacaram seu pai não eram ladrões de comuns, Alex. Eles eram mercenários, pagos por iraquianos.

Alex riu.

– Acho que o senhor tem assistido muitos filmes de ação, senhor... senhor... Ela se lembrou que não sabia o sobrenome dele e não terminou a frase.

– Perdoe-nos, Alex, mas não temos muito tempo. Seria mais fácil se você acreditasse em nós. Por que o FBI se importaria com isso se não fosse verdade, se tudo não tivesse sido bem investigado? Por favor, dê-nos uma chance de explicar tudo.

Alex se sentou e olhou os dois homens por um instante.

– Então você também é do FBI? Disfarçado como pipoqueiro? – ela perguntou a Harry.

– Sim, Alex. E minha atual missão é vigiar você durante o dia, assim como muitos outros agentes têm feito nos últimos seis meses. Frank é nosso líder. Ele tem sido seu anjo da guarda durantes as noites.

– Seis meses? Querem dizer que vocês estão me vigiando há seis meses? Meu Deus! – pensou ela. – E por que só agora decidiram se aproximar?

– Estamos com um problema, Alex. Preciso viajar, tenho uma outra missão. Harry precisa ir comigo. E não confiamos em ninguém mais para ficar por aqui cuidando de você. Gostaríamos então que você fosse conosco.

Alex olhou para ele, surpresa.

– O senhor sabe o que está me pedindo, senhor... senhor... Alex tentou dizer novamente...

– Donovan.

– Sr. Donovan! – exclamou ela. – Vocês dois vêm aqui dizendo que são do FBI, que eu estou em perigo devido a algo que meu pai sabia – e eu juro que não tenho a menor ideia do que seja – e agora você está me pedindo para ir numa missão com você? Como quer que eu reaja?

Frank sabia que não estava sendo muito diplomático, mas eles não tinham muito tempo. Ele tinha de partir imediatamente e não voltaria antes de algumas semanas, e não podia suportar deixá-la fora de sua vista. Era muito teimoso. Quando decidia alguma coisa, tinha de ser do jeito dele.

– Infelizmente não temos tempo, Alex. Precisamos partir amanhã. Por favor, entenda que é para o seu próprio bem. Você estará segura conosco e prometemos que fará uma ótima viagem. Viajaremos pelo oceano, do mesmo modo que seu pai viajou tantos anos durante a vida dele.

– Estou realmente honrada com o convite, senhores, mas infelizmente não posso ir – disse ela, com um sorriso sarcástico. – É meu trabalho, sabe. É fim de semestre, tenho provas para corrigir e...

– Terá de pedir uma licença, disse Frank, em tom autoritário.

Alex olhou para ele. Dava para ver em seus olhos que ela estava furiosa.

– Certo, senhores, agora já chega. Por favor, peço que saiam agora, se não se importam. Tenho muitas coisas a fazer.

Frank baixou a cabeça e respirou fundo. Ele estava sendo um completo imbecil, pensou. Deveria ser mais diplomático, mais cuidadoso no trato com ela. A situação era totalmente nova para ele. Acostumado a lidar com sequestradores, mercenários e traficantes de drogas, ele tinha aprendido a ser autoritário. Era a primeira vez em que fora designado para cuidar de um caso tão delicado. Se esse não fosse um caso da mais alta importância para o governo, ele não teria sido chamado. Tentando recuperar o controle, ele insistiu, tentando uma abordagem diferente desta vez:

– Alex, seu pai foi uma pessoa e tanto. Estive no funeral dele. Pude ver como as pessoas o amavam e posso ver o mesmo amor e a admiração em seus olhos. Tenho certeza de que você ficaria feliz em ver os homens que mataram seu pai atrás das grades. Mas, para isso, precisamos de sua ajuda. Fomos designados para protegê-la. O FBI descobriu que aqueles homens acham que você sabe tudo sobre o segredo que seu pai descobriu. E eles virão atrás de você, Alex. Não quero alarmá-la. Harry e eu estamos aqui para impedir que eles machuquem você. E ficaremos aqui para sempre, se necessário, ou até que você esteja completamente segura. Tudo o que pedimos é sua colaboração. Por favor, imploro para que venha conosco.

Alex estava perplexa. Estranha intuição lhe dizia que ela deveria confiar nele com todas as suas forças. Mas, racionalmente, ela achou a situação totalmente sem propósito e não estava convencida em aceitá-la. Um total estranho entra em sua vida e começa e lhe dar ordens. Ordens que ela não queria obedecer.

– Eu realmente agradeço a sua proteção, senhores, mas garanto que nada de errado irá acontecer! Vão, vão para a sua missão, seja lá qual for, eu ficarei segura aqui, como sempre estive, a vida toda.

– Vamos viajar para checar algumas informações sobre o que o seu pai pode ter descoberto, Alex. Vamos viajar no velho navio que ele comandou por 30 anos. Tenho certeza de que você já esteve a bordo dele pelo menos uma vez, não? Bem, o Victoria está levantando âncora amanhã e estaremos lá. Espero que venha conosco por livre e espontânea vontade.

– E se eu me recusar? – ela perguntou, desafiando-o.

Frank olhou para ela, confuso.

– Por favor, Alex, pense sobre isto. Até agora conseguimos manter esse pessoal à distância. Eles são profissionais. Não estamos lidando com amadores. Eles sabem que estamos aqui. Se sairmos, ficarão mais confiantes para agirem. É isso que estou tentando evitar. Eles estão se aproximando de você. Pense sobre isto esta noite. Amanhã voltarei para saber o que resolveu.

Alex estava à beira de um ataque de nervos. Ela se levantou e, tentando parecer calma, caminhou até a porta e abriu-a.

– Boa tarde, senhores. Muito obrigada pela preocupação de vocês.

Harry olhou novamente para Frank. Ele teria soltado uma boa gargalhada naquele momento, se a situação não fosse tão grave. Frank era o mestre em negociação, mas agora falhara totalmente. Não conseguira encontrar outro argumento. É isso o que se ganha, pensou Harry, em misturar sentimentos pessoais com trabalho. Ele tinha agido de modo muito passional e impulsivo, e agora ele não só estava colocando Alex totalmente na defensiva como também estava comprometendo todo o caso.

Os dois saíram da casa sem dizer uma palavra. Quando Frank chegou no carro e se sentou, pronto para o turno de vigilância noturna, ele ordenou a Harry:

– Fale com o seu contato no Ministério da Educação para conseguir a licença. Ela irá conosco amanhã.

– Como pode ter tanta certeza?

– Vou persuadi-la – disse ele, com um sorriso misterioso.

 

 

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Sobre o personagem

Frank Donovan é criação da NBC Studios, EUA. Ele era o personagem principal da série americana UC Undercover, exibida nos EUA há mais de dez anos e cancelada logo após os ataques de 11 de setembro. A série nunca foi exibida no Brasil.

Capa do livro: projeto e criação da autora Louise Benett.

Os modelos são Oded Fehr (que atuou como Frank Donovan no seriado americano) e Josie Maran.

As figuras para montagem da capa foram obtidas na Internet e os direitos autorais das mesmas pertencem aos seus respectivos fotógrafos e à NBC Studios.

 

 

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Músicas copiadas de meus próprios CDs. Não há nenhuma intenção de violar direitos autorais. Se você acredita que alguma imagem ou foto deste site pertence a você, mande-me um e-mail e eu lhe darei os devidos créditos ou excluirei a imagem, se assim desejar.

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